A Um Poeta
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma de disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.
Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
Um pouco sobre o autor:
Patrono do Serviço Militar – “Se todas as pessoas usufruem das benesses da Pátria, nada mais justo que participem de sua defesa.“
Em uma homenagem oferecida a ele em dezembro de 1907, disse: “O que estais, como brasileiros, louvando e premiando nesta sala, é o trabalho árduo, fecundo, revolucionário, corajoso da geração literária a que pertenço, e o papel definido, preciso, dominante, que essa geração conquistou, com o seu labor, para o homem de letras, no seio da civilização brasileira.
“Que fizemos nós? Fizemos isto: transformamos o que era até então um passatempo, um divertimento, naquilo que é hoje uma profissão, um culto, um sacerdócio; estabelecemos um preço para o nosso trabalho, porque fizemos desse trabalho uma necessidade primordial da vida moral e da civilização da nossa terra…”
Em 1907 foi eleito “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, num concurso patrocinado pela revista Fon-Fon.
O grande amor de Bilac foi Amélia de Oliveira, irmã do poeta Alberto de Oliveira. Porém, Olavo Bilac não se casou e nem teve filhos, mas interessou-se pela educação infantil. Escreveu diversos livros escolares, ora sozinho, ora em co-autoria com Coelho Neto ou com Manuel Bonfim. Por causa de seu envolvimento político, esteve preso e resolveu exilar-se em Minas Gerais, até que a situação política se acalmasse no Rio de Janeiro.
O Príncipe dos Poetas morreu em 1918.
